Foram quatro dias em que o CasaHall virou verbo. A cidade despertou com a agenda cheia e, à tarde, parecia que todo o ecossistema arq/decor havia combinado de se encontrar no mesmo CEP. O DW! Tour Balneário Camboriú, entre 19 e 22 de agosto, ocupou o mês com aquela equilibrada mistura de conteúdo profundo e leveza estética daquelas que nos faz sair das palestras anotando tendências e, ao mesmo tempo, desejando redesenhar a rotina.
No miolo da programação, os DW! Talks criaram pontes entre escalas: do objeto à cidade, do gesto autoral ao projeto urbano. Rodrigo Ohtake e Celso Rayol dividiram palco num debate que trocou rótulos por processos daqueles que mudam nosso olhar sobre matéria, luz e tempo. Daniel Mangabeira, da BLOCO, trouxe à cena a Brasília que inspira o país, lembrando que coerência também é linguagem.
O tom institucional do evento ficou claro quando a prefeita Juliana Pavan compareceu a um painel que abordou hospitalidade e desenvolvimento urbano. Sua presença reforçou que o DW! não é apenas um festival de design, mas um catalisador cultural e econômico para a cidade.
No térreo, o apelo era sensorial. A DOCOL assinou o lounge e instalou o Cubo DOCOL no acesso principal, uma vitrine conceito que transformou o fluxo em pausa, convidando o público a tocar, testar fluxo d’água e absorver design como atitude cotidiana. Marca, produto e narrativa na mesma frase e sem ponto final.
O CasaHall trouxe a cidade para dentro com arte urbana ao vivo, lembrando que o desenho do espaço público já faz parte do briefing contemporâneo do morar. Entre uma talk e outra, era possível cruzar com alguém que a gente só lê nos créditos e, no instante seguinte, ver um mural nascer. O festival ganha sentido real quando a visão se une à ação.
No ambiente digital, a presença foi intensamente ativa: convites, reels, bastidores e encerramentos inundaram os perfis do DW!, do CasaHall e das marcas parceiras, costurando a experiência física com uma presença permanente online.
E no meu caderno de tendências, optei por destacar três palavras que, embora não tenham sido pronunciadas nas falas, sintetizam a atmosfera do evento:
- Materialidade: as vivências táteis do toque no mobiliário, à testagem de produtos, à pintura ao vivo;
- Escala: das conversas que navegaram entre o objeto e o território construído em seus múltiplos contextos;
- Conexão: o que se manifestou nos diálogos presenciais e na pulsação digital que transcendia o evento físico.
Essas três noções, para mim, são vias de conversa que reverberarão ainda nos estúdios, salas comerciais e cidades nos próximos meses.
Crédito Colunista: Catri Atta





